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PARTE 03
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PARTE 05
PARTE 06
terça-feira, 8 de março de 2011
Dia Internacional da Mulher
Dia Internacional da Mulher
08/03/2011
Cutistas de todo o Brasil vão às ruas neste 8 de março para cobrar fim da violência, creches públicas, igualdade salarial e valorização do mínimo
Escrito por: Luiz Carvalho
Nesta terça-feira, dia 8 de março, trabalhadoras da CUT de todo o Brasil vão às ruas para celebrar um carnaval diferente. No Dia Internacional da Mulher, os eixos de igualdade no trabalho, valorização do salário mínimo, acesso à creche e fim da violência contra a mulher farão parte da folia em todo o território nacional (leia programação abaixo).
No País que elegeu pela primeira vez uma mulher presidenta, a desigualdade ainda persiste. Segundo estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) sobre a diferença de oportunidades entre homens e mulheres, o Brasil ocupa a 80.ª posição em um ranking de 138 países.
Para a CUT, a mudança desse cenário passa pela valorização do salário mínimo e pela manutenção da política que reajusta o valor anualmente, já que mesmo com um tempo maior de estudo, as mulheres são maioria entre os que ganham o mínimo: uma em cada 10 recebe esse valor, enquanto para os homens, a proporção é de um em cada 20, segundo dados do Ministério do Trabalho.
Creches e violência –A central defende ainda um maior investimento em creches públicas e educação infantil em tempo integral, visto que a responsabilidade sobre a criação dos filhos na esmagadora maioria das vezes cabe às mães, que precisa deixar o trabalho para cuidar dos filhos e impede a participação também da vida cultural, política e de lazer.
Segundo o Ministério da Educação, o número de creches atende somente 11% do total de crianças de 0 a três anos.
Outra grande conquista das mulheres é Lei Maria da Penha (11.340), sancionada em 2006 pelo governo Lula para coibir a violência, principalmente doméstica, e a trata como crime e não assunto privado. Também estabelece agilidade no processo de prisão e criação de instrumentos que protegem as vítimas e seus filhos.
Porém, apesar de vigorar há cinco anos, ainda não está consolidada. Em janeiro deste ano, a 6ª turma do Superior Tribuna da Justiça (STJ) decidiu que a lei pode passar a ser ignorada no julgamento de casos de violência doméstica e familiar nas situações de crimes de menor potencial ofensivo, que possuem pena inferior a um ano.
Os processo poderão ser suspensos, de acordo com o comportamento do réu. Dessa forma, o STJ altera a proibição da suspensão de processos mesmo com o desejo da vítima de agressão.
Para que as conquistas não retrocedam e os direitos sejam ampliados, as trabalhadores cutistas vão às ruas.
Acompanhe abaixo a programação:
CEARÁ
15 de março
9º Encontro Nacional da Mulher Urbanitária
Fortaleza
9h- Apresentação Cultural
9:15h –ABERTURA
Franklin Moreira – Presidente da FNU
Fernando Avelino – Presidente do Sindicato dos Urbanitários do CE
Maria das Graças Costa – Presidenta da CONFETAM
Carmem Silva Ferreira – Sec. da Mulher – CUT-CE
Amelia Fernandes Costa – Sec. Da Mulher Urbanitária da FNU
9h30 – DINÂMICA DE APRESENTAÇÃO
10h – O DESAFIO DA MULHER NOS ESPAÇOS DE PODER
Maria das Graças Costa – Presidenta da CONFETAM
Amelia Fernandes Costa – Presidenta do Sind. Urbanitários/AL
Coord. Magno dos Santos Filho – Sec. Geral - FNU
11h – Debate
12h – Almoço
13h30h
Apresentação da Pesquisa Diagnóstica – Raça– LGBT– Juventude (DIEESE/FNU)
14h – Resgate das Ações da Secretaria da Mulher da FNU
Amelia Fernandes Costa– Sec. da Mulher
14:30h - Experiências e Subsídios para a busca da Igualdade deOportunidades no trabalho e na Vida
Maria das Graças Costa – Presidenta da COFETAM
15h – OFICINA PARA CONSTRUÇÃO DO PLANO DE AÇÃO DO COLETIVO DE MULHERES DA FNU – TRABALHO EM GRUPOS
16:30h – Apresentação dos Trabalhos da Oficina e Debate
18h – Encerramento dos Trabalhos
21h – ATIVIDADE DE CONFRATERNIZAÇÃO E INTERGRAÇÃO DO COLETIVO – BAILE A FANTASIA – MULHERES NA FOLIA!
ESPÍIRITO SANTO
11 de março
Mulheres Construindo o Futuro, com público previsto para 150 pessoas.
Auditório do Sintraconst – rua Pereira Pinto n° 29 - Centro- Vitória
13h às 17h30
GOIÁS
8 de março – 15h
Bloco das Margaridas da CUT no Carnaval da cidade de Goiás
Concentração no Largo do Rosário e desfile pela cidade de Goiás
10 de março – 17h30min
Lançamento da Marcha das Margaridas em Goiás
Centro Pastoral D. Fernando – Goiânia
quinta-feira, 3 de março de 2011
PAUTA DE REIVINDICAÇÕES SIND-UTE/2011
EM 2011 A LUTA É PELO PISO SALARIAL PROFISSIONAL NACIONAL
O Estado de Minas Gerais não pagou o Piso Salarial Profissional Nacional em 2010 e iniciou o ano de 2011 da mesma forma. Minas não paga o valor do Piso no vencimento básico ou mesmo se considerarmos as tabelas salariais que instituíram o subsídio como forma de remuneração.
Por isso, o nosso eixo para a campanha salarial deste ano é o pagamento do Piso. No entanto, não podemos abandonar a Lei 18.975/10, que trouxe uma mudança salarial para uma parcela da categoria mas, repetiu a política de desvalorização dos servidores que têm tempo de serviço.
Temos outros desafios importantes: estabelecer no Estado uma gestão democrática com a imediata realização de eleição para direção das escolas, lutar pelos direitos dos efetivados e a realização de concurso público, corrigir inúmeras distorções na carreira, lutar contra a privatização do IPSEMG e por uma educação pública de qualidade social.
Os encontros regionais realizados no dia 12/02 e a Conferência Estadual de Educação, ocorrida nos dias 18, 19 e 20/02, em Caxambu, foram importantes espaços para discussão da nossa pauta de reivindicações. Ela precisa refletir todos os problemas que enfrentamos.
Apresentamos a seguir as propostas que foram discutidas nestes espaços para que a categoria vote em quais propostas irão compor a pauta de reivindicações da Campanha Salarial Educacional 2011.
PROPOSTA DE PAUTA DE REIVINDICAÇÕES
SALÁRIO E CARREIRA
Política de remuneração
1.Pagamento do Piso Salarial Profissional Nacional de R$ 1.597,87, sem perda das vantagens, para jornada de 24 horas para o nível médio de escolaridade, com reajuste das tabelas salariais de acordo com o custo aluno.
Alterações na Lei 18.975/10
2.Manutenção dos biênios e qüinqüênios sem a incorporação ao subsídio.
3.Reajuste em 2011 das tabelas da Lei 18.975/10, de modo a alcançar o valor de R$ 1.597,87 para o nível TI.
4.Prorrogação do prazo para opção entre as formas de remuneração previsto na Lei 18.975/10.
5.Revisão do posicionamento dos servidores nas tabelas da Lei 18.975/10 com o espelhamento na carreira, de acordo com a situação funcional em dezembro de 2010.
6.Modificar os percentuais de progressões automáticas para 3% e de promoção em 22% nas tabelas salariais da Lei 18.975/10.
7.Garantia aos servidores que, em dezembro de 2010, estavam em ajustamento funcional ou licença médica, que sejam posicionados nas tabelas da Lei 18.975/10, levando em consideração a gratificação de regência.
8.Realizar o reajuste da Vantagem Pessoal Nominalmente Identificada prevista na Lei 18.975/10 com o mesmo percentual utilizado para reajustar as tabelas salariais previstas na respectiva lei. (VPNI)
Carreira
9.Imediata atualização da escolaridade dos servidores efetivos e aposentados com a correção no posicionamento das tabelas da Lei 18.975/10 e pagamento retroativo a 01/01/11.
10.Revogação do Decreto que faz regressões da progressão em função da promoção por escolaridade.
11.Criar critérios para ocupantes de função gratificada.
12.Rever o processo de avaliação de desempenho de maneira que os indicadores de resultado expressem o funcionamento de todo o sistema como condições de trabalho, estrutura física, número de alunos por sala de aula, laboratórios, etc e não como instrumento de coerção.
13.Modificação do interstício de 5 para 3 anos para promoção por escolaridade adicional.
14.Cumprimento do Termo de Acordo de 2010 com o pagamento integral dos dias de paralisação da campanha salarial educacional 2010.
15.Regulamentação da jornada de 30 horas com a participação do Sind-UTE/MG.
16.Que o estágio probatório faça parte do interstício para promoção por escolaridade adicional.
17.Que os profissionais da educação que atuam em APAES tenham os mesmos direitos de progressão, promoção e quaisquer outras políticas remuneratórias.
18.Que o servidor afastado em função de licença médica tenha direito à promoção por escolaridade adicional.
IPSEMG E PREVIDÊNCIA
19.Realização de concurso público para servidores do IPSEMG.
20.Elaboração de uma política de prevenção à saúde do trabalhador.
21.Reabertura dos postos ou agências do IPSEMG nas cidades pólo, retornando o atendimento do IPSEMG família.
22.Tornar pública e regularizar a dívida do Estado com o IPSEMG.
23.Manter a gestão do IPSEMG integralmente pelo setor público sem qualquer transferência para a iniciativa privada.
24.Ampliar e melhorar os atendimentos médico e odontológico, convênios laboratoriais e perícia local em todas as regiões do Estado.
25.Ampliar o número de Regionais de atendimento para 8 (oito).
26.Possibilitar ao servidor detentor de 02 cargos, desvincular a sua contribuição automaticamente de 01 cargo.
27.Atualizar a publicação de todos os pedidos de aposentadoria e estabelecer uma política de agilidade e eficiência para os novos pedidos.
28.Ampliação da representação dos trabalhadores nos Conselhos do IPSEMG.
29.Redução do tempo de espera para todos os procedimentos realizados pelo IPSEMG.
30.Possibilitar que os filhos desempregados dos servidores públicos sejam incluídos como dependentes.
31.Criar Conselhos Municipais do IPSEMG.
32.Tornar públicas as prestações de contas dos fundos de Previdência do Estado.
GESTÃO DEMOCRÁTICA DA ESCOLA E DO SISTEMA
33.Cumprimento do Termo de Acordo assinado em 2010 com a realização de eleição para direção de escola no início de 2011, estabelecendo os critérios do edital em acordo com a categoria.
a) Duração de mandato:
- 4 anos com uma recondução;
- 3 anos com uma recondução;
- 2 anos com uma recondução.
b) Reeleição:
- Uma recondução consecutiva;
- sem limite para reeleição;
- considerar os atuais mandatos.
c) Elegibilidade:
- trabalhador em educação em exercício na escola, que tenha a titulação exigida;
- apenas quem tem certificação;
- que a certificação não seja requisito;
- que tenha no mínimo 2 anos de exercício na escola.
d) Colégio eleitoral:
- inscrição prévia;
- voto proporcional x voto universal;
- alunos a partir de 16 anos;
- um voto por família para alunos menores de 16 anos.
34.Eleição direta para Superintendente Regional de Ensino.
35.Garantia de autonomia administrativa, pedagógica e financeira para a unidade escolar.
36.Elaboração de uma política para combater e acabar com o assédio moral nos ambientes escolares e nas Superintendências Regionais de Ensino.
37.Instituição de uma avaliação sistemática da gestão escolar feita pela comunidade escolar anualmente.
38.Transformar o Colegiado em Conselho Escolar com poder deliberativo.
39.Qualquer membro do colegiado escolar possa ser Presidente do Colegiado.
40.A eleição para direção deve ocorrer em todas as escolas estaduais, inclusive as que estão com intervenção e as que tiveram avaliação de desempenho insuficiente.
VÍNCULO FUNCIONAL
41.Cumprimento do Termo de Acordo de 2010 com a realização imediata de concurso público de provas e títulos para todas as áreas do conhecimento, inclusive para os cargos da SRE, com valorização do tempo de serviço e edital discutido com o Sind-UTE/MG.
42.Imediata atualização da escolaridade dos efetivados e sua correção no posicionamento das tabelas da Lei 18.975/10 e pagamento retroativo a 01/01/11.
43.Estabelecer o direito à remoção e mudança de lotação para os efetivados pela Lei Complementar 100/07.
44.Estabelecer a promoção por escolaridade adicional aos servidores efetivados e designados.
45.Manutenção dos direitos e vantagens para o servidor que esteja em ajustamento funcional.
46.Elaboração de uma política de respeito e valorização para os servidores em ajustamento funcional, respeitando a sua restrição laboral e jornada do cargo.
47.Organização do quadro escola com o aumento do número de Auxiliar de Serviços da Educação Básica, especialista em educação básica por turno independente do número de turmas.
EDUCAÇÃO DE QUALIDADE
48.Elaboração de políticas públicas que combatam a violência no ambiente escolar e garantam a segurança e a integridade física do/a trabalhador/a em educação em seu local de trabalho e comunidade escolar.
49.Que a progressão parcial só aconteça extraturno.
50.Investimento na melhoria da rede física das unidades escolares em todas as regiões do Estado.
51.Redução do número de alunos por sala para os seguintes limites: ensino fundamental - 20 alunos nos anos iniciais, 25 alunos para os anos finais e até 30 alunos para o Ensino Médio.
52.Elaboração de uma política de formação continuada para os profissionais que atendem alunos portadores de necessidades especiais.
53.Implementação da Lei 10.639/03.
54.Regulamentar o atendimento de profissionais de assistência educacional (fonoaudiólogo, assistente social, fisioterapeuta, psicólogo) em todas as escolas estaduais.
55.Mudança na estrutura de oferta do ensino médio com atendimento em todas as regiões do estado sem a nucleação de vagas, e a redefinição na proposta curricular com a oferta de todas as disciplinas.
Demandas específicas dos servidores das Superintendências Regionais de Ensino
- Reajuste do valor do cartão-alimentação.
- Equiparação do salário do Analista em Educação Básica com o salário do Inspetor Escolar.
- Concessão da gratificação do taxador para todos os Assistentes Técnicos.
- Concessão da gratificação paga pelo Pip também aos Analistas e Técnicos.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES 2011
Dia Internacional das Mulheres 2011
Artigo - Rosane Silva
Trabalhadoras em Luta por Igualdade de Oportunidades na Vida, no Trabalho e no Movimento Sindical
O Dia Internacional das Mulheres, data histórica e de luta, será marcado em todo Brasil por manifestações que empunham bandeiras feministas. As trabalhadoras CUTistas estarão nas ruas em defesa de um modelo de desenvolvimento para nosso país com inclusão social, valorização do trabalho, sustentabilidade com igualdade de oportunidades, e pela autonomia econômica, social e política das mulheres.
Este ano serão quatro os grandes temas que a CUT traz para debater com a sociedade e exigir do Governo políticas públicas para seu cumprimento: Igualdade no Trabalho – Mulheres em Todos os Cargos, Profissões e com Igualdade salarial; Pela Valorização do Salário Mínimo; Creches Públicas: um direito da Criança e da Família e responsabilidade do Estado; Violência Contra a Mulher: Tolerância Nenhuma!
Estes temas fazem parte da Campanha de Igualdade de Oportunidades na vida, no Trabalho e no Movimento Sindical que a CUT está desenvolvendo e que tem como objetivo denunciar e avançar na superação da situação de discriminação no acesso e no cotidiano do mundo do trabalho que as mulheres ainda hoje enfrentam, ainda que sua presença aumente ano a ano.
A partir da reivindicação de Igualdade no Trabalho: Mulheres em Todos os Cargos, Profissões e com Igualdade Salarial afirmarmos que as mulheres podem e devem estar presentes em todas as profissões e cargos, com igualdade salarial e de oportunidades. Para isso, a CUT reivindica a urgente ratificação da Convenção 156 da OIT e também a alteração do Artigo 7º da Constituição Federal que equipara os direitos das trabalhadoras domésticas com os demais trabalhadores/as.
Reduzir as desigualdades entre homens e mulheres passa também por uma política de valorização permanente do salário mínimo. Tanto homens quanto mulheres são beneficiários desta política. Entretanto, as mulheres (especialmente as jovens) são mais impactadas, pois são a maioria das que recebem até dois salários. Entre o total das mulheres em idade ativa, as que não possuem rendimento ou têm até no máximo dois salários mínimos são 84,3% do total. E ainda, entre as mulheres ocupadas, as que recebem até dois salários mínimos são 66,5% do total. A CUT continua lutando junto ao Congresso Nacional para transformar em Lei a atual política de valorização do salário mínimo, que é fruto da nossa luta.
Uma política pública básica para o acesso e permanência das mulheres no mercado de trabalho é a garantia de creches e escolas públicas em tempo integral. A creche é um direito da criança e da família e responsabilidade do Estado e sua existência significa a recusa ao atual modelo que reforça a responsabilidade individual das mulheres pelo cuidado com as crianças.
A creche pública nos locais de moradia, seja no campo ou na cidade, possibilita às crianças conviverem no ambiente na qual ela está inserida e possibilita às pessoas responsáveis pelo seu cuidado participarem integralmente da vida pública, seja no trabalho, na política, na cultural ou no lazer. Especialmente no caso das mulheres que precisam conciliar o cuidado com as crianças, as tarefas domésticas e o trabalho formal, a ausência de creches públicas traz prejuízos pessoais e profissionais. Atualmente o número de creches públicas atende somente 11% do total de crianças de 0 a três anos, segundo dados do Ministério da Educação. A luta pela ampliação das creches públicas, com qualidade, é uma reivindicação histórica das trabalhadoras.
A violência contra as mulheres é um outro grave problema de nossa sociedade. Ela ocorre em casa, na rua, nos locais de trabalho e explicita o machismo, a vontade dos homens em tratar as mulheres como objeto e subordinadas a eles. No âmbito doméstico, a Lei Maria da Penha (Lei Nº 11.340/2006) é uma grande conquista, pois reconhece a violência como crime e não como assunto privado. Porém, são necessárias a implantação e ampliação de políticas públicas de combate e prevenção destas práticas. Nos locais de trabalho, o assédio moral e sexual são outras formas de violência contra as mulheres que precisam ser combatidas. Toda militância da nossa Central deve estar engajada na campanha que afirma: Violência contra as mulheres, Tolerância Nenhuma!
Este ano, o dia 08 de Março excepcionalmente será uma 3ª feira de carnaval. Mas isso não significa que as trabalhadoras CUTistas deixarão de ir às ruas, pelo contrário, as atividades do dia internacional das mulheres deverão ser realizadas em todo o mês de março e terão por objetivo preparar a mobilização para a Marcha das Margaridas na qual a CUT tem a meta de ter no mínimo 30 mil CUTistas mobilizadas/os.
A jornada das Margaridas acontece todo ano em agosto, mês de um simbolismo muito forte para o movimento sindical. Neste mês, a líder sindical Margarida Alves foi assassinada por defender os direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores rurais. Margarida Alves se foi, mas suas utopias e sonhos permanecem vivos entre nós. Floresce em cada mulher que dia-a-dia luta para que os direitos humanos das mulheres sejam respeitados em todo país.
E como forma de reafirmar a luta das mulheres trabalhadoras rurais, a Marcha das Margaridas 2011 terá momentos de reflexões, debates, seminários e atividades culturais que acontecerão nas comunidades, municípios, estados e na capital federal. Serão celebradas as conquistas das mulheres nas políticas públicas, como também serão debatidas e avaliadas as ações, programas e políticas reivindicadas pela Marcha das Margaridas.
Com o lema “2011 razões para marchar por desenvolvimento sustentável com justiça, autonomia, igualdade e liberdade” as trabalhadoras estarão nas ruas na certeza de que para a 1ª presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, honrar seu compromisso assumido com as mulheres brasileiras, da nossa parte será preciso muita luta, mobilização e um processo constante de diálogo.
Durante a marcha será apresentada a Plataforma de reivindicações das mulheres rurais. Com essa iniciativa, as trabalhadoras adotam posições contundentes para enfrentar os grandes obstáculos inseridos na construção de um Brasil verdadeiramente soberano, justo e solidário, com garantia dos direitos e cidadania plena das mulheres. A pauta e a estratégia da Marcha das Margaridas se assemelham ao ponto de ser possível afirmar que se confundem com as da CUT na medida em que reforçam a disputa de modelo de desenvolvimento que a Central vem travando.
A CUT convoca suas entidades a participarem das ações do Dia Internacional das Mulheres e da Marcha das Margaridas, e convida a todos e todas a somarem-se a luta por igualdade de oportunidades que é de toda sociedade.
Rosane Silva é Secretária Nacional da Mulher Trabalhadora da CUT
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
CALENDÁRIO ESCOLAR MG - RESOLUÇÃO 1782/2011
RESOLUÇÃO SEE Nº 1.782, DE 26 DE JANEIRO DE 2011. “MG” 27/01/2011
Estabelece calendário para o ano escolar de 2011.
A SECRETÁRIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO, no uso de suas atribuições, tendo em vista o disposto na Lei nº 9.394/96 e considerando a necessidade de organização e funcionamento das escolas estaduais em 2011, RESOLVE:
Art. 1º O Calendário Escolar, respeitadas as normas legais, deve ser anualmente elaborado pela escola, discutido e aprovado pelo Colegiado e amplamente divulgado, cabendo ao Serviço de Inspeção Escolar supervisionar o cumprimento das atividades nele previstas, de acordo com as normas da Secretaria de Estado de Educação.
Art. 2º O Calendário Escolar em 2011 prevê 200 dias letivos e carga horária de 800 horas para os anos iniciais e 833 horas e 20 minutos para os anos finais do ensino fundamental e ensino médio e inclui as seguintes datas e programações:
I -Férias escolares: janeiro de 2011
II- Início do ano escolar: 01 fevereiro.
III- Início do ano letivo: 02 de fevereiro.
IV- Término do ano letivo: 16 de dezembro.
V- Término do ano escolar: 20 de dezembro.
VI- Recessos escolares comuns:
- 07 a 11 de março
- 18 a 29 de julho
- 7 a 9 de setembro
- 10 a 14 de outubro
- 21 a 30 de dezembro
VII- Feriados e dias santos:
- 01 de janeiro
- 08 de março
- 21 de abril
- 22 de abril
- 01 de maio
- 23 de junho
- 07 de setembro
- 12 de outubro
- 02 de novembro
- 15 de novembro
- 25 de dezembro
VIII- Planejamento e recuperação:
- 19 e 20 de dezembro
Art. 3º Havendo necessidade de compatibilização da programação com eventos municipais ou por motivos extraordinários e relevantes, as escolas poderão alterar seus calendários resguardando o cumprimento da exigência mínima de dias letivos e aulas.
§ 1º Nas situações previstas no caput, as escolas poderão utilizar o limite máximo de cinco sábados na composição do calendário, desde que esteja assegurado o transporte daqueles alunos oriundos da área rural.
§ 2º A duração do ano letivo poderá, nos casos previstos no artigo, extrapolar o ano civil.
§ 3º As alterações no Calendário Escolar, para atender ao disposto no artigo, deverão ser aprovadas pelo Serviço de Inspeção Escolar da Superintendência Regional de Ensino.
Art. 4º Fica assegurado aos professores da rede estadual de ensino a integralidade do mês de janeiro, como período de férias regulamentares.
Art. 5º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
Estabelece calendário para o ano escolar de 2011.
A SECRETÁRIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO, no uso de suas atribuições, tendo em vista o disposto na Lei nº 9.394/96 e considerando a necessidade de organização e funcionamento das escolas estaduais em 2011, RESOLVE:
Art. 1º O Calendário Escolar, respeitadas as normas legais, deve ser anualmente elaborado pela escola, discutido e aprovado pelo Colegiado e amplamente divulgado, cabendo ao Serviço de Inspeção Escolar supervisionar o cumprimento das atividades nele previstas, de acordo com as normas da Secretaria de Estado de Educação.
Art. 2º O Calendário Escolar em 2011 prevê 200 dias letivos e carga horária de 800 horas para os anos iniciais e 833 horas e 20 minutos para os anos finais do ensino fundamental e ensino médio e inclui as seguintes datas e programações:
I -Férias escolares: janeiro de 2011
II- Início do ano escolar: 01 fevereiro.
III- Início do ano letivo: 02 de fevereiro.
IV- Término do ano letivo: 16 de dezembro.
V- Término do ano escolar: 20 de dezembro.
VI- Recessos escolares comuns:
- 07 a 11 de março
- 18 a 29 de julho
- 7 a 9 de setembro
- 10 a 14 de outubro
- 21 a 30 de dezembro
VII- Feriados e dias santos:
- 01 de janeiro
- 08 de março
- 21 de abril
- 22 de abril
- 01 de maio
- 23 de junho
- 07 de setembro
- 12 de outubro
- 02 de novembro
- 15 de novembro
- 25 de dezembro
VIII- Planejamento e recuperação:
- 19 e 20 de dezembro
Art. 3º Havendo necessidade de compatibilização da programação com eventos municipais ou por motivos extraordinários e relevantes, as escolas poderão alterar seus calendários resguardando o cumprimento da exigência mínima de dias letivos e aulas.
§ 1º Nas situações previstas no caput, as escolas poderão utilizar o limite máximo de cinco sábados na composição do calendário, desde que esteja assegurado o transporte daqueles alunos oriundos da área rural.
§ 2º A duração do ano letivo poderá, nos casos previstos no artigo, extrapolar o ano civil.
§ 3º As alterações no Calendário Escolar, para atender ao disposto no artigo, deverão ser aprovadas pelo Serviço de Inspeção Escolar da Superintendência Regional de Ensino.
Art. 4º Fica assegurado aos professores da rede estadual de ensino a integralidade do mês de janeiro, como período de férias regulamentares.
Art. 5º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO, em Belo Horizonte, aos 26 de janeiro de 2011.
ANA LÚCIA ALMEIDA GAZZOLA
Secretária de Estado de Educação
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
VEJA O BOLETIM 25 DO SIND-UTE/MG - 10/02/2011
Salário, Carreira, Gestão Democrática, IPSEMG, Concurso, Direito dos Efetivados e Educação de Qualidade - Nossos Desafios para 2011
De acordo com o relatório técnico do Tribunal de Minas Gerais, o Governo do Estado, no exercício financeiro de 2009, investiu 20,15% em educação, enquanto a previsão constitucional é de 25%. Ainda, do total de recursos para manutenção e desenvolvimento do ensino, Minas investiu 11.95% no Ensino Médio, mesmo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional estipular que o Estado deve investir prioritariamente neste nível de ensino.
Os profissionais da educação encontram em sua vida funcional uma política de carreira em que é necessário aguardar, no mínimo, 8 anos para que tenha sua formação reconhecida em percentual de 10%.
Manchetes de agressão a professores no exercício da função em sala de aula tornaram frequentes em 2010. Frequente também foi o silêncio do governo.
A organização curricular representa a maior fragmentação na formação do cidadão mineiro dos últimos 20 anos. Questões importantes como a história afro-brasileira não tem política de implantação no estado. O poder se perpetua em escolas estaduais com direções de 20 anos de gestão (ou mais).
Um breve olhar pelos últimos anos da gestão da educação em Minas Gerais demonstra claramente o fracasso deste modelo. Ao implantar o subsídio como forma de remuneração a categoria percebeu os erros existentes na carreira, levando profissionais com especialização a receberem pela licenciatura curta.
Por isso, os desafios em 2011 atingem contornos tão relevantes. É preciso recuperar muita coisa. Nesta perspectiva, o Sind-UTE/MG inicia o ano em campanha salarial educacional.
Calendário de Mobilização - Sind-UTE MG
12/02
Encontros regionais para discussão da pauta de reivindicações 2011.
15/02 A 24/02
Fórum Democrático para o Desenvolvimento de Minas, promovido pela Assembleia Legislativa.
18/02 A 20/02
VI Conferência Estadual de Educação “Os desafios da educação básica e a organização dos trabalhadores em educação de Minas Gerais”, em Caxambu
24/02
Assembleia estadual para discussão e aprovação da pauta de reivindicações e critérios para o Edital de eleição para direção de escola. PARALISAÇÃO (GREVE DE 24H)
25/02
Reunião para protocolo e apresentação da pauta de reivindicações com as Secretarias de Estado da Educação e de Planejamento e Gestão.
Pauta de Reivindicações 2011
O Sind-UTE/MG já convocou a categoria para a primeira assembléia estadual de 2011. Será no dia 24 de fevereiro e terá como um dos objetivos a aprovação da pauta de reivindicações 2011. A proposta é que ela seja discutida nos encontros regionais que ocorrerão no próximo dia 12 e tenha como eixos as seguintes questões:
- Salário e carreira, Ipsemg, Gestão democrática, Vínculo (concurso e direito dos efetivados) e Educação de Qualidade
INFORMES DA 1ª REUNIÃO DO SIND-UTE/MG COM A NOVA SECRETÁRIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO
Data: 26/01 (quarta-feira)
Local: Gabinete da Secretária
Presentes: Comissão de negociação do Sind-UTE/MG – Beatriz Cerqueira; Marilda de Abreu; Feliciana Saldanha e Lecioni Pereira.
Governo: Ana Lúcia Gazola, Secretária de Estado da Educação; Maria Ceres, Secretária Adjunta de Educação; Sueli Pires, Chefe de Gabinete; e Marcílio Lana, assessor de comunicação.
Assuntos tratados:
1) Concurso Público: o Sind-UTE/MG reiterou a cobrança de realização do concurso conforme o Termo de Acordo assinado pelo Governo. Reiterou também a reivindicação de valorização do tempo de serviço para pontuação como título e a realização de concurso para as áreas de filosofia, sociologia e ensino religioso. Por fim, o Sindicato solicitou um cronograma de trabalho. Segundo a secretária, ela reunirá com o Governador para discutir esta questão e em seguida reunirá novamente com o Sind-UTE/MG em 15 dias.
2) Eleição direção de escola: o Sind-UTE/MG cobrou o cumprimento do Acordo que estabeleceu a eleição para direção de escola no início do ano. Solicitou também que as regras sejam discutidas com a categoria com a definição de tempo de mandato e a possibilidade de limite para reeleição. Esta questão deverá será tratada em nova reunião.
3) Férias regulamentares de janeiro: O Sind-UTE/MG cobrou a mudança no calendário escolar, que previu o início do ano escolar em 01/02 para 02/02. Isso porque os profissionais da educação não tiveram 30 dias de férias. As férias devem começar em dia útil e não em feriado ou fim de semana como aconteceu em 2010 e se repetiu em 2011. A secretária manteve o início do ano em 01/02 alegando que não tinha condições de realizar a modificação, mas assumiu o compromisso de discutir com o Sindicato o calendário escolar 2012. O Sind-UTE/MG impetrou Mandado de Segurança para rever esta questão, porém o Tribunal de Justiça indeferiu a liminar.
4) Quadro de escola: o Sindicato apresentou sua insatisfação com a Resolução 1.773/10. Novamente a secretária editou normas sem ouvir a categoria. A Resolução traz um grande problema, que é a determinação para que os servidores em ajustamento funcional sejam incluídos na quantificação do quadro da escola. Isso significa um desrespeito ao laudo médico apresentado pelo servidor, como também a diminuição de postos de trabalho. A Secretária assumiu o compromisso de estudar para rever esta situação.
5) Mudança de lotação/remoção para efetivados: o Sindicato reiterou a solicitação feita em dezembro para que os servidores efetivados pudessem mudar sua lotação, bem como o retorno deste direito também para os servidores efetivos. A Secretária dará retorno ao Sindicato após reuniãoM com o Governador.
2ª Reunião com a Secretária de Estado da Educação e Secretária de Estado de Planejamento e Gestão
Data: 27/01 (quinta-feira)
Local: Seplag (Cidade Administrativa)
Presentes: Comissão de negociação do Sind-UTE/MG – Beatriz Cerqueira; Marilda de Abreu; Feliciana Saldanha e Lecioni Pereira.
Governo: Ana Lúcia Gazola, Secretária de Estado da Educação; Maria Ceres, Secretária Adjunta de Educação; e Renata Vilhena, Secretária de Estado de Planejamento e Gestão.
Assuntos tratados:
1. Subsídio: A Seplag apresentou dados relativos à quantidade de servidores/as que foram posicionados na tabela de subsídio e média salarial. Informou que, ao aplicar a Lei 18.975/10, ocorreram erros e há servidores/as que ficaram com posicionamento errado na nova tabela. O mecanismo para solicitar revisão do posicionamento na nova tabela será por meio do Portal da Educação: http://www.portaldaeducacao.mg.gov.br/.
A Seplag informou ainda sobre a situação do diretor de escola: de acordo com a Secretária, a simulação do posicionamento do diretor de escola na tabela de subsídio traria prejuízo à maioria dos diretores. Por isso, a Lei Delegada 182/11 estabeleceu que este cargo ficaria na forma de remuneração de dezembro de 2010, teria 5% no vencimento básico e quem quiser optará pela nova, no prazo de 90 dias, a partir do dia 21 de janeiro de 2011. Se o diretor optar pelo subsídio receberá retroativo a janeiro de 2011.
O Sindicato apresentou questionamentos de situações funcionais dos servidores que não encontram amparo na legislação: quem tem aulas facultativas, dobra de turno ou exigência curricular para receber ao se aposentar não teve este direito informado no contra cheque de dezembro, que foi a referência para o posicionamento na nova tabela. No entanto, estes benefícios são direitos adquiridos e o/a servidor/a ficará prejudicado/a; quem em dezembro de 2010 estava de licença médica ou ajustamento funcional temporário foi posicionado na nova tabela sem a gratificação de regência. No entanto, o seu afastamento era temporário e não pode ficar prejudicado.
2. Regulamentação da jornada de 30 horas: embora desde agosto de 2010 o Sind-UTE/MG tenha solicitado ao Governo do Estado discutir a regulamentação da jornada de 30 horas para professor, a Secretária não apresentou nenhuma proposta de critérios ou cronograma para a regulamentação. Será constituído um grupo de trabalho entre SEE e Seplag para, em 20 dias, apresentar ao Sindicato uma minuta da regulamentação. Da mesma forma a organização da jornada que não é de regência (10 horas) será regulamentada.
3. Pagamento do retroativo do reposicionamento por tempo de serviço: como este ponto foi tratado em 2010 sem a participação do Sind-UTE/MG, somente nesta reunião o Sindicato teve acesso ao cronograma da Seplag, que prevê que o pagamento do retroativo do reposicionamento por tempo de serviço será pago em junho de 2011.
4. Aposentadoria dos diretores de escola: o Sindicato detectou que os diretores que contribuíram pela D.A.E. não têm conseguido aposentadoria aos 25 anos de trabalho. O Sind-UTE/MG apresentou esta demanda à Seplag, que afirmou desconhecer o problema e dará retorno posteriormente.
BREVE AVALIAÇÃO DAS REUNIÕES
Embora sem retornos concretos, a reunião com a Secretária de Estado da Educação foi importante para que o Sindicato fizesse as cobranças de questões pendentes de 2010 e estabelecesse um canal de diálogo com a Secretaria.
Agora é acompanhar e cobrar retorno a todas as nossas demandas. A reunião com a Seplag não era de negociação, e sim ter retorno sobre o subsídio e para apresentar questões imediatas. A categoria vive atualmente muitos problemas na carreira, além da questão salarial - que serão apresentados ao Governo no dia 25/02, após a assembleia estadual do dia 24/02. Aí começará o processo de negociação.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
COMO AÉCIO NEVES CONTROLA A IMPRENSA DE MINAS GERAIS
Revista Fórum revela como Aécio mantém a imprensa sob controle
Leia a íntegra da reportagem publicada pela Revista Fórum e reproduzida no site Vermelho (www.vermelho.org.br)
Aécio Neves, o macarthismo mineiro
Nelson Rodrigues costumava dizer que toda unanimidade é burra. Em Minas Gerais, a unanimidade em torno do governador Aécio Neves vai mais longe. É, além de burra, truculenta, cega e venal. Nenhum outro governador brasileiro ostenta índices tão altos de aprovação e popularidade.
Apontado como um dos favoritos ao Planalto em 2010, Aécio raramente aparece na mídia em situações desconfortáveis ou constrangedoras. Quando isso acontece, como no caso do “Mensalão Tucano”, a imprensa mineira é a última tocar no assunto.
Via de regra, espera um sinal de fumaça do Palácio da Liberdade para entrar na pauta, sempre na esteira da defesa do governador. Mas de onde vem esse fervoroso engajamento jornalístico? Será bairrismo em torno da perspectiva de um mineiro na presidência? Ou é o fato do governador ser jovem, boa pinta e austero com as finanças?
Nos bastidores do Palácio da Liberdade, sede do governo mineiro, existe uma azeitada máquina de comunicação e propaganda trabalhando a todo vapor para manter a imagem de Aécio intacta e em alta até as eleições de 2010.
Esse projeto de poder, que começou a ser gestado em 2002, é baseado no binômio truculência e dinheiro. Em Minas, é proibido falar mal do governador. Casos de jornalistas que ousaram quebrar essa regra e foram demitidos ou ameaçados existem aos borbotões. O resultado, em muitos casos, é a opção pela auto-censura como forma de sobrevivência.
Esse consenso tem sido financiado através de farta publicidade estatal. Não é a administração direta, mas as estatais que mais gastam em comunicação e publicidade. Com isso fica mais difícil a fiscalização da Assembléia Legislativa, que ainda por cima conta com uma oposição pouco coesa. “Minas é um estado com alto grau de censura. A imprensa, aqui, é porta-voz do governo Aécio.
Existem muitas denúncias de jornalistas perseguidos pelo Palácio da Liberdade. A intervenção do governo se dá de forma direta. Eles pedem a demissão de funcionários e, em muitos casos, são atendidos. Hoje, a censura é mais econômica, já que a cota de publicidade (estatal) nunca foi tão alta. O gasto de publicidade de Aécio cresceu 500% em relação a Itamar. Na execução fiscal de 2006, ele gastou 400% a mais que o previsto”, relata o deputado estadual Carlin Moura, do PcdoB.
A pedido da revista Fórum, Carlin enviou um requerimento ao governo pedindo uma planilha detalhada com todos os investimentos publicitários do Estado, incluindo as estatais. Até o fechamento desta edição, esses dados ainda não haviam sido liberados.
“Existe uma caixa preta, já que a maioria dos gastos é feita por empresas estatais, como a CEMIG e a COPASA, sobre as quais a Assembléia não tem controle. Eles não dão as rubricas separadas”, conclui Carlin. Em tempo. Segundo dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) o governo estadual gastou R$ 39,6 milhões com a pasta de Comunicação em 2006.
Não foi por acaso que Minas Gerais foi o estado que registrou a maior adesão à Semana de Democratização da Mídia. No último dia 5 de outubro, cerca de 1000 manifestantes de entidades como Abraço, FNDC, FENAJ, CUT, UNE e MST se concentraram na frente do Palácio da Liberdade.
Além de pedir transparência nos processos de concessão de TV, os mineiros denunciaram a falta de liberdade de imprensa no estado. “Em Minas Gerais a liberdade de pensamento é muito mais atacada, pois vivemos sob uma pesada censura praticada pelo governo do Estado em parceria com os donos dos principais veículos.
Com o objetivo de promover a blindagem em torno da figura do governador Aécio Neves, vários jornalistas foram demitidos por produzirem matérias que desagradaram o Palácio da Liberdade. Depois dessa perseguição, nunca mais se viu ou se ouviu uma única reportagem que contrariasse o interesse da elite que governa Minas Gerais”, resumiu o manifesto batizado de “Carta de Belo Horizonte, produzido pelos manifestantes.
“O maior jornal do estado, O Estado de Minas, eu chamo de O Estrago de Minas. Ele é totalmente ligado ao governador. A verdade é que todos estão comprometidos. Não sobra nenhum. Chamam o Aécio de “o filho do avô. Ele não tem tradição nenhuma na política, mas é blindado. Por que? Falam do mensalão mineiro, mas deviam investigar é o mensalão da mídia mineira.
A revista Fórum faz muito bem em abordar esse tema”, diz José Guilherme Castro, coordenador de comunicação e cultura da Abraço (Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária) e secretário geral da FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação).
Aqui em Minas não saiu nada sobre o mensalão mineiro. Só começaram a publicar essa história quando veio a reação do Aécio”, conclui Kerisson Lopes, um dos organizadores da manifestação do dia 5, em Minas.
No último mês de outubro, Fórum conversou com jornalistas, políticos, pesquisou números e levantou histórias reveladoras sobre os bastidores de uma relação mais que promíscua entre o primeiro e o quarto poder em Minas Gerais.
Coco e romance em Ipanema
Em plena tarde de quinta feira, três carros de luxos estacionam em frente a um quiosque de Ipanema, na altura do Jardim de Alah. Os curiosos param para ver a cena. Um casal desce cercado por seguranças e pede água de coco.
No dia seguinte, os jornais cariocas revelam o nome dos pombinhos: Aécio Neves e a miss Natália Guimarães. A nota repercutiu no país inteiro, menos em Minas Gerais. Ocorre que naquele mesmo dia, o governador tinha um importante compromisso – uma solenidade em homenagem a cultura mineira.
Diante da inusitada ausência do governador, o vice Antônio Augusto Anastásia teve de improvisar o discurso. Esse pequeno episódio foi lembrado pelo deputado Carlin para um plenário vazio na Assembléia Legislativa de Minas. Não houve repercussão. Ninguém tocou no assunto nem mesmo nas colunas sociais locais.
O “namoro” só veio à tona na base de Aécio quando sua assessoria achou conveniente. “O romance do governador com a miss Brasil”, estampou, na capa, a revista IstoÉ Gente do último dia 15 de outubro. O episódio é menor, mas cheio de significado.
Apesar do clima de macartismo, alguns profissionais ousam revelar os bastidores do esquema. Fórum conversou com um dos editores de um dos maiores jornais mineiros. Por motivos óbvios, ele pede para não ter seu nome revelado. “As pautas chegam com algumas “rec´s” – recomendações. É o editor-chefe quem administra isso. Ele precisa ter jogo de cintura. Para garantir essa blindagem, o governo ataca em massa e manda fazer cadernos especiais de estatais, especialmente da Copasa.
Quem cuida dessa interlocução diretamente é a irmã do Aécio, Andréia Neves. É ela que manda na área de imprensa. O Aécio paira por cima. Andréia provocou a demissão de vários companheiros”.
O nome de Andréia Neves da Cunha, 48 anos, irmã mais velha de Aécio e chefe do serviço de assistência social do estado, causa calafrios nas redações mineiras, especialmente nas de Belo Horizonte.
Apesar de, formalmente, ocupar um cargo que tradicionalmente pertence a primeira dama, na prática é ela a comandante de fato da área de comunicação da administração. Em reportagem publicada em outubro no jornal Valor Econômico, os repórteres César Felício e Ivana Moreira revelaram ao Brasil o que todo jornalista mineiro já sabia.
Coube a Andréia o comando da operação colocada em curso para minimizar os danos do noticiário do mensalão mineiro sobre seu irmão. Foi ela que decidiu pela estratégia de aguardar uma semana para que Aécio se pronunciasse oficialmente.
Além do serviço social, a irmã de Aécio também comanda o “Grupo Técnico de Comunicação”, uma equipe de doze profissionais de mídia empregados na estrutura do Estado e que determina as ações de marketing. Não é exagero dizer que esse é o quartel general da inquisição.
Andréia mãos de tesoura
Era para ser apenas um trabalho de conclusão de curso, mas se tornou um dos vídeos mais assistidos do site You Tube. Em 2003, o estudante de comunicação da UFMG, Marcelo Baeta, recebeu anonimamente uma lista de jornalistas demitidos a pedido do governador. Ficou com a pulga atrás da orelha e passou a prestar mais atenção no noticiário.
A decisão definitiva de fazer um documentário foi tomada em novembro de 2004, quando o governo lançou uma campanha maciça para anunciar o “Déficit Zero”. Baeta notou que a matéria do repórter Ismar Madeira, no “Jornal Nacional”, eram bem parecidas com os anúncios publicitários do governo do intervalo, onde um ator-repórter anunciava que “Minas Gerais superou uma década no vermelho”.
Um escândalo. No fim da noite, Aécio apareceu no programa Jô Soares, no qual foi fartamente elogiado pelo apresentador bonachão.
A apuração de Baeta revelou a faceta mais brutal do governo Aécio. Um dos entrevistados foi o jornalista Marco Nascimento, hoje diretor de jornalismo da TV Gazeta, em São Paulo. Ele conta, sem rodeios, que Andréia Neves pediu sua cabeça logo depois das eleições, quando Nascimento era diretor de jornalismo da Globo MG, em função de uma série de matérias “que estavam sendo ruins para o governo”.
“Eu imaginei que contaria com o apoio da Globo no Rio, mas estava enganado”, disse para Baeta. Procurado por Fórum, Nascimento disse que prefere não falar mais sobre esse assunto. Ele não imaginava que um trabalho de conclusão fosse ter tamanha repercussão, a ponto de ser citado em matérias publicadas na Europa.
Outro que denunciou os abusos de Aécio, mas acabou voltando atrás foi o jornalista esportivo Jorge Kajuru. Em maio de 2004, ele ficou furioso na véspera de um jogo da seleção brasileira no Mineirão. Com o microfone em punho, esbravejou: “Sobra ingresso para os convidados do governador de Minas, falta para o torcedor”.
Resultado: foi demitido no intervalo. Irado, Kajuru fez um desabafo no programa do apresentador Clodovil. “A irmãzinha dele (Aécio) pede a cabeça de jornalista. Tem jornalista em Belo Horizonte perdendo emprego por causa dela. A emissora sofreu uma pressão enorme. Aécio deve estar rindo agora”.
Não resta dúvida que o período mais agressivo das investidas de Andréia Neves contra os jornalistas foi entre 2003 e 2004. “Nos primeiros anos de governo, recebíamos muitas denúncias graves de jornalistas que reclamavam de cerceamento por parte dos editores.
Havia ingerência direta do governo e da assessoria na cobertura. Era escancarado. Os proprietários eram pressionados e pressionavam os editores para barrar a divulgação de matérias ruins para o governo. Os repórteres denunciavam mudanças e distorções nas matérias que escreviam.
Nos últimos dois anos, as denúncias diminuíram. Na minha opinião, a pressão, hoje, é mais financeira. A conjuntura profissional – leia-se falta de emprego – colabora para deixar os jornalistas com medo. A cobertura, por sua vez, continua chapa branca.
É difícil ver notícias de impacto contra o governo ou o governador. Denúncias só aparecem em veículos de outros estados”, revela Alexandre Campelo, diretor do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais.
O caso Lindemberg
Não é de hoje que a imprensa mineira mantém relações promíscuas com o governo estadual. Há quem diga que a tradição nasceu com Assis Chateubriand e seu império, os “Diários Associados”, grupo que ainda hoje é forte no estado – é dono do jornal O Estado de Minas.
Especulações à parte, existe um episódio curioso que passou completamente batido pela grande imprensa nacional, mas que merece ser observado com lupa. No último dia 19 de setembro, a revista IstoÉ publicou uma reportagem explosiva: “Exclusivo: Os documentos do mensalão mineiro”.
A repercussão foi imediata em todo país, menos em Minas. Mas isso não vem ao caso. O que chama atenção é o fato de que o documento que deu origem à matéria – um relatório da Polícia Federal – está, hoje, disponível na Internet para quem quiser ler e repercutir. Mas, curiosamente, existe pouca gente interessada no assunto.
Fórum imprimiu e esmiuçou as 172 páginas do relatório. E descobriu que ainda existe muita pauta quase inédita para ser publicada. Em linhas gerais, o relatório – que se refere ao período em que o tucano Eduardo Azeredo foi governador e candidato a reeleição – mostra que toda a estrutura de caixa 2 criada por Marcos Valério passava pela comunicação, através da simulação de gastos com comunicação.
Mas isso também não é novidade. Na página 151, entretanto, um nome salta aos olhos: Carlos Lindemberg Spínola Castro. Para quem não sabe, ele era na época e ainda é editor do jornal Hoje em Dia, que pertence à Igreja Universal e é um dos maiores do Estado.
No período investigado, o ano de 1998, quando Azeredo tentou a reeleição, Lindemberg recebeu da SMP&B, portanto da campanha, R$ 130 mil para dar “opiniões políticas”. Em depoimento para PF, ele reconhece que recebeu R$ 50 mil.
Existe algum problema no fato de Lindemberg ser o responsável por um dos principais jornais do estado e receber dinheiro da campanha do governador que tenta a reeleição? A imprensa mineira acha que não.
Tanto é que apenas um site no estado, o “Novo Jornal”, tocou no assunto. Outros jornais e revistas do Brasil chegaram a ensaiar a publicação do caso, mas foram “convencidos” a deixar quieto. Fórum conversou com Lindemberg. É ele quem se defende. “Não existe relação entre uma coisa (ser diretor de um jornal) e outra (prestar serviço como consultor). Sempre prestei consultoria. Não trabalho para nenhum político ou agência, fui pago por uma agência de forma limpa. Tanto é que não há ilicitude em relação a mim”.
Além de dizer que toda unanimidade é burra, Nelson Rodrigues (sempre ele) também disse, certa vez, em sua “Flor de Obsessão”: “o mineiro só é solidário no câncer”. Dessa vez, contudo, parece que ele errou.
Jornal mineiro é o mais vendido do Brasil
Pela primeira vez na história da imprensa brasileira os mineiros tem um jornal que é líder de circulação no país. Informa o IVC de agosto que o Super Notícias, tablóide diário de 25 centavos, vem mantendo uma média diária de 300.322 exemplares vendidos.
Isso é mais que a Folha de S.Paulo (299.010), O Globo (276.733), Extra (238.937) e Estado de S.Paulo (238.752). Com 32 páginas de editorial e 13 de anúncio, o Super se transformou em um fenômeno abusando de sangue, mulher, futebol e reciclando material editorial dos jornais O Tempo e Pampulha, que pertencem ao mesmo grupo.
O pai da idéia e dono do jornal é o empresário e político Vittorio Medioli, ex deputado federal pelo PSDB e atualmente no PV.
Por Pedro Venceslau (Revista Fórum)
CHOQUE DE GESTÃO EM MINAS: Sem concurso, Anastasia incha folha com 1.314 cargos
Sem concurso, Anastasia incha folha com 1.314 cargos
O Estado de S. Paulo - 25/01/2011
Eduardo Kattah
O governo de Minas irá criar mais 1.314 cargos comissionados até 2014. A decisão consta do decreto de lei delegada 182 assinada pelo governador Antonio Anastasia (PSDB) e publicado no último sábado no Minas Gerais, diário oficial do Estado. Os novos cargos representam um aumento de 28,85% no número de postos comissionados de chefia, direção e assessoramento já existentes. Do total de comissionados (17,5 mil), o porcentual representa um acréscimo de 7,4%.
Ao comentar recentemente a falta de espaço para a concessão de reajustes ao funcionalismo público neste ano, o próprio governador admitiu que no Orçamento sancionado para 2011, os gastos com pessoal deverão ultrapassar o limite prudencial previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), de 46,55%, e ficar próximo do limite de 49%.
A secretária de Planejamento e Gestão, Renata Vilhena, alegou, contudo, que o impacto será "praticamente irrisório". "Esse quantitativo de cargos não impacta no nosso limite de pessoal, pois é muito pouco diante do total (de 410 mil funcionários da ativa) e principalmente porque normalmente são ocupados por servidores de carreira", afirmou ela ontem. De acordo com a secretária, a estimativa do impacto financeiro ainda estava sendo feita. "De fato precisamos ter os cargos porque essas pessoas necessitam de um diferencial para ocupar vagas de chefia, de direção, de coordenação de área. Mas não vai impactar em nada no nosso limite", disse.
O objetivo da Lei 182, segundo o governo, é adequar o quadro de servidores à terceira etapa do processo de "modernização administrativa" implantado no Estado, Conforme a secretária, cerca de 700 cargos serão criados para atender às projeções de expansão do sistema prisional. A meta do governo prevê que sejam inauguradas 144 novas unidades prisionais até 2014.
Aproximadamente 60% dos cargos restantes deverão ser preenchidos de imediato e a maior parte dos novos postos será criada para atender à ampliação das unidades de saúde.
Anastasia recebeu poderes da Assembleia Legislativa para editar leis delegadas até 31 de janeiro, que podem mexer com toda a administração estadual, sem a necessidade de aval do Parlamento. Em seu primeiro ato administrativo, o governador assinou decreto criando três novas secretarias e os cargos de secretários extraordinários da Copa do Mundo, de Gestão Metropolitana e de Regularização Fundiária.
Alegando abuso na utilização do instrumento, o PT-MG prometeu ingressar com uma ação direta de inconstitucionalidade (Adi) contra o projeto de resolução do Executivo, aprovado no fim do ano passado e que permitiu a edição de leis delegadas.
Futuro líder da bancada petista na Assembleia, o deputado estadual eleito Rogério Correia, criticou a criação de novos postos comissionados. "Minas está precisando é de concurso público, não de mais cargos comissionados", disse ele, em nota distribuída à imprensa."
A campanha da Veja contra as lutas históricas dos professores
A campanha da Veja contra as lutas históricas dos professores
A revista Veja não economiza espaço quando se trata de divulgar os palpites de Gustavo Ioschpe sobre educação. Não haveria um articulista mais articulado para essa tarefa? Ou, pensando melhor, Ioschpe e Veja vivem em total harmonia. As afirmações de um, abalizadas pela outra, demonstram, apesar do tom peremptório e seguro, uma fragilidade teórico-prática impressionante.
Por Gabriel Perissé, no Observatório da Imprensa
Ioschpe costuma aludir a pesquisas (não especificando, na maioria das vezes, que pesquisadores são esses, que pesquisas são essas, onde consultá-las), dando como líquido e certo tal ou qual verdade. Na Veja de 13/10/2010, por exemplo, escreveu um artigo, "Educação de qualidade: de volta ao futuro", do qual destaco o seguinte trecho:"[...] as pesquisas empíricas [...] mostram que a presença de computadores nas escolas não tem nenhum impacto sobre o aprendizado."
Contudo, já no final do século 20, pesquisadores do mundo inteiro reuniam experiências que demonstravam como a utilização de computadores e da internet tornam as práticas docentes motivadoras. Bastaria citar um estudo de 1998, "The emerging contribution of online resources and tools to classroom learning and teaching", e, para entender a necessidade de a escola ingressar na Idade Mídia, o livro de Don Tapscott, A Hora da Geração Digital (Agir Negócios, 2010).Ainda nesse artigo de Ioschpe, outra pérola:
"Sindicatos mais poderosos pressionam para que o grosso da verba de educação seja gasto em aumentos salariais e diminuição do número de alunos em sala de aula, duas variáveis que não têm relação com a qualidade de ensino."
Tentativa de corrigir uma injustiça
Contudo, qualquer psicopedagogo, qualquer educador haverá de nos dizer que em turmas reduzidas o professor conseguirá dar atenção mais individualizada, poderá perceber melhor progressos e dificuldades de cada aluno, detectando os problemas e intervindo com mais eficácia. E, quanto aos salários, é difícil acreditar que pesquisadores (motivados por bolsas de estudos, talvez com ajuda do exterior...) dediquem seu tempo para descobrir que aumentos salariais não motivam professores...
Em dezembro do ano passado, visivelmente abalado com a vitória de Dilma Rousseff, Ioschpe, em novo artigo (Veja, 29/12/2010), intitulado "Aumentaram os gastos, mas a qualidade...", teve a coragem de escrever:
"[...] esse governo [federal] foi extremamente generoso nas concessões e omisso nas cobranças. Instituiu um piso nacional de salário para o magistério, atualmente em 1.024,00 reais. O salário médio do professor brasileiro subiu de 994 reais em 2003 para 1.527,00 reais em 2008 [...]. O governo, porém, não fez nenhuma intervenção mais forte nos cursos de formação de professores das próprias universidades federais, que continuam despejando no mercado profissionais despreparados para o exercício da docência."
Ora, não se pode usar o advérbio "extremamente" em relação a uma generosidade nada extrema. Aliás, nem de generosidade se trata, mas da tentativa (tardia!) de corrigir uma injustiça: o salário de um professor de escola pública com diploma universitário equivale, hoje, a 60% do que recebem, em média, profissionais com o mesmo nível de ensino.
Realidade se resume a poucas palavras
E não são as universidades federais que "despejam" professores despreparados no mercado! Na década de 1990, calculava-se que 80% dos professores da rede pública estadual de São Paulo formaram-se em faculdades privadas. Em 2008, o MEC divulgou estudo segundo o qual 70% dos professores aptos a lecionar no ensino básico do Brasil formaram-se em faculdades e universidades particulares.
Andar na contramão da realidade pode provocar acidentes. No caso de Ioschpe, suas declarações entram em rota de colisão com o óbvio. Nem precisaríamos recorrer a teses de doutorado ou pesquisas financiadas por bancos ou assemelhados. Em novembro e dezembro de 2010, e neste mês de janeiro, o articulista publicou em três partes um artigo cujo título não é nada ambicioso: "Como melhorar a educação brasileira". Basta-nos ler (e brevemente comentar) alguns dos seus melhores momentos...
"Muitos professores chegam atrasados a suas aulas. Perdem tempo fazendo chamada, dando recados e advertências. É um desperdício" (Veja, 10/11/2010).
Correto. Mas essa constatação é insuficiente. Por que muitos professores chegam atrasados? E por que a chamada é tão prolongada (ao mesmo tempo que exigida pela burocracia escolar)? E por que cabe aos professores darem recados e advertências? Se Ioschpe fizesse as perguntas certas aos que vivem essas realidades estaria realizando verdadeira pesquisa empírica e acabaria por descobrir uma realidade que se pode resumir em poucas palavras: professores sobrecarregados e turmas com grande número de alunos.
Uma breve pesquisa informa o óbvio
Outro momento de Ioschpe, influenciado pelos noticiários sobre o Morro do Alemão:
"É curioso: nossos governantes criaram coragem para invadir o Morro do Alemão, mas as universidades públicas continuam sendo consideradas território perigoso demais para a ação saneadora do estado. Esculachar bandido armado de metralhadora é mais fácil do que peitar os doutores da academia, que permanecem livres para perpetrar seus delitos intelectuais" (Veja, 22/12/2010).
Mais do que curioso... é incrível que alguém possa, impunemente, comparar bandidos e professores universitários! Que tipo de "limpeza" deveria ser feita nas universidades públicas? Não seria o caso de imaginar que as particulares merecem igual ou maior rigor?
Um último parágrafo:
"Em termos de regime de trabalho, ao contrário dos desejos dos sindicatos, a maioria das pesquisas mostra que não faz diferença, para o aprendizado do aluno, quantos empregos o professor tem, se trabalha em uma escola ou mais" (Veja, 19/01/2011).
De novo, impressiona ler uma afirmação dessas. Será que, além de desconhecer a escola pública, Ioschpe ignora a realidade vantajosa das escolas particulares, cujos alunos obtêm os melhores resultados no Enem?
Uma breve pesquisa na internet informa o óbvio. As melhores escolas possuem laboratórios, computadores e biblioteca. Seus professores são bem remunerados, o que lhes permite dedicação exclusiva, ou quase exclusiva, com tempo necessário para prepararem aulas inovadoras, em geral empregando recursos tecnológicos.
Fonte:
http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=146051&id_secao=6
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Profissionais de creches poderão se aposentar como professores
| Profissionais de creches poderão se aposentar como professores Fonte: www.diap.org.br |
| Seg, 17 de Janeiro de 2011 - 16:21h |
| A Câmara analisa a proposta de emenda à Constituição (PEC 529/10), do deputado Vicentinho (PT-SP), que considera como de efetivo exercício na carreira de magistério, para fins de aposentadoria, o tempo em que o atual professor de educação infantil exerceu atividade em unidade de atendimento de crianças de até seis anos de idade (creches). Essa contagem de tempo valerá para o período anterior à integração das instituições de educação infantil ao sistema municipal de ensino (20 de dezembro de 1999). A medida reafirma o trabalho desses profissionais como educacional, mesmo antes da integração dessas instituições. Pela proposta, serão beneficiados quem teve como atribuição a responsabilidade direta pelo cuidado, orientação e educação de crianças de até seis anos; e a coordenação, o assessoramento pedagógico e a direção da unidade escolar, e que hoje atuam no sistema municipal de ensino. Vicentinho explica que hoje a aposentadoria desses profissionais não ocorre com base no cargo de professor, por considerar que esse cargo não é o mesmo que o anterior, de auxiliar de desenvolvimento infantil. Ele observa que existem profissionais que, apesar de estarem próximos de preencher os requisitos da aposentadoria especial dos professores, deixam de aposentar-se. Segundo ele, "há o entendimento de que os anos anteriores não se trataram de período em que o profissional exerceu função de magistério, o qual só é reconhecido com a transformação do cargo anterior para o de professor". Curso de formação - Citando o exemplo de São Paulo, Vicentinho conta que foi oferecido curso de formação aos profissionais que trabalhavam nas creches, e que eles puderam transformar suas atividades em cargos de professor e passaram a integrar o magistério municipal. Na ativa, acrescenta o deputado, eles têm vencimentos altos, pois são considerados como profissionais do ensino. No entanto, quando se aposentam, a interpretação das regras constitucionais de aposentadoria é feita de forma restrita, não considerando o tempo de exercício do cargo anterior como tempo de magistério. (Fonte: Informes do PT) |
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